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- REI KAWAKUBO
Nascimento e Origens Rei Kawakubo nasceu em 11 de outubro de 1942 , em Tóquio , no Japão, durante um período turbulento da história global. Ela cresceu em uma sociedade rigidamente estruturada, marcada pelas consequências da Segunda Guerra Mundial, e isso influenciaria profundamente sua visão estética futuramente. Filha de um administrador da Keio University, Kawakubo teve acesso a uma educação formal sólida. Curiosamente, ela não estudou moda , mas sim arte e literatura na Keio University , graduando-se em 1964 com especialização em história da estética ocidental . Esse pano de fundo acadêmico mais filosófico e artístico explica sua abordagem conceitual e quase filosófica ao design. Início de Carreira Após se formar, Rei Kawakubo começou a trabalhar no departamento de publicidade da empresa têxtil Asahi Kasei e depois passou a estilizar roupas para sessões de fotos, o que despertou seu interesse pela criação de peças próprias. Em 1969 , fundou sua própria marca: Comme des Garçons , que significa "Como os Garotos" em francês uma escolha que já revelava seu desejo de romper com as convenções de gênero e estilo. A Ascensão com Comme des Garçons A Comme des Garçons começou vendendo roupas para mulheres, com uma estética minimalista e andrógina. Suas peças causavam estranhamento formas desestruturadas, cores escuras (principalmente preto), silhuetas que escondiam o corpo, e uma recusa clara às noções tradicionais de beleza e sensualidade feminina. Em 1975 , ela abriu sua primeira loja em Tóquio. E em 1981 , fez sua estrondosa estreia em Paris , com uma coleção que foi apelidada de " Hiroshima chic " pela imprensa ocidental devido às roupas desgastadas, com buracos, assimetrias e cores sombrias. A crítica se dividiu: enquanto muitos a rejeitavam por achar "feia", outros a celebravam por seu arrojo artístico. Estilo e Filosofia O estilo de Kawakubo quebra fronteiras entre arte e moda , entre o belo e o desconfortável. Ela trabalha com a ideia de "anti-fashion", ou seja, criar moda que desafia os próprios fundamentos da indústria. Principais características de suas criações: Desconstrução de formas tradicionais Uso predominante do preto, especialmente nos anos 1980 Volumes exagerados, silhuetas distorcidas Roupas que questionam o gênero, o corpo e os padrões de beleza Inspiração em temas como vazio, morte, envelhecimento, ausência, imperfeição Kawakubo raramente explica suas coleções. Ela acredita que a interpretação deve ser livre e muitas vezes se recusa a dar entrevistas, mantendo-se enigmática, silenciosa e extremamente coerente com sua visão artística. Trabalhos Marcantes Comme des Garçons Homme Plus (linha masculina com pegada conceitual) PLAY (linha casual e mais comercial, com o famoso coração com olhos criado por Filip Pagowski) COLABORAÇÕES com marcas como Nike, Converse, Louis Vuitton, Supreme, e até com a IKEA Dover Street Market : loja conceito criada por ela, que mescla moda, arte e cultura, com filiais em Londres, Nova York, Tóquio, Pequim e mais Reconhecimento e Legado Apesar de ser avessa à fama e ao glamour da indústria, Kawakubo é reconhecida como uma das figuras mais importantes e revolucionárias da moda moderna. Sua influência pode ser sentida em estilistas como Martin Margiela, Yohji Yamamoto, Ann Demeulemeester, Rick Owens e muitos outros que exploram a desconstrução e o anticlássico. Ela foi homenageada com a exposição "Rei Kawakubo / Comme des Garçons: Art of the In-Between" no Metropolitan Museum of Art (Met), em 2017 tornando-se a segunda estilista viva a receber tal honra (a primeira foi Yves Saint Laurent em 1983). A exposição foi curada por Andrew Bolton e desafiou o público a pensar moda como arte. Curiosidades Rei Kawakubo quase nunca aparece em público e raramente concede entrevistas. Em desfiles, ela não aparece ao final para os aplausos diferentemente de outros estilistas. É casada com Adrian Joffe , que também é CEO da Comme des Garçons e da Dover Street Market. Ela não desenha as roupas com lápis ou papel: muitas vezes dá ideias com palavras ou sentimentos, e sua equipe traduz em forma. Embora muito intelectual, ela se define como uma criadora instintiva , dizendo que cria "a partir do nada". Livros sobre Rei Kawakubo “Rei Kawakubo: Art of the In-Between” (2017) Catálogo oficial da exposição do Met, com textos de Andrew Bolton. Essencial para entender sua estética e impacto. “Fashion Visionaries” de Linda Watson Inclui um perfil de Kawakubo entre outros grandes nomes da moda. “The World of Comme des Garçons” de Vogue On Designers Uma coletânea sobre a história e influência da marca. “Rei Kawakubo and Comme des Garçons” (Thames & Hudson) Um guia visual e conceitual das coleções mais marcantes. Documentários e Vídeos Embora ela mesma evite exposição, há alguns conteúdos disponíveis: “Fashion Rebels: Rei Kawakubo” – Episódios em YouTube e canais de moda sobre seu impacto. Vídeos da exposição do MET em 2017 (disponível no YouTube e no site do museu) Entrevistas com Andrew Bolton (curador do Met) sobre seu trabalho com Kawakubo Documentários sobre moda japonesa dos anos 80 frequentemente mencionam seu trabalho, como “Japanese Avant-Garde Fashion” (BBC, raridade online) Frases icônicas de Rei Kawakubo “Para mim, o corpo não é algo bonito ou não bonito. É apenas um lugar para as roupas estarem.” “Minha intenção sempre foi criar algo novo, algo que nunca existiu.” “O espírito da rebelião é essencial.”
- MARTIN MARGIELA
Poucos nomes na moda causaram tanto impacto quanto o de Martin Margiela e paradoxalmente, ele fez isso evitando completamente os holofotes. Enigmático, visionário e provocador, Margiela redefiniu o conceito de moda contemporânea com suas criações desconstruídas, sua crítica ao sistema e seu completo desprezo pela fama. Esta matéria explora quem foi esse criador misterioso, suas contribuições mais icônicas e as obras que ajudam a entender seu legado. Quem é Martin Margiela? Martin Margiela nasceu em 9 de abril de 1957 , em Leuven , uma pequena cidade na Bélgica . Criado em Genk, ele se interessou por moda desde pequeno, encantado por revistas e pela televisão italiana que via com a avó. Estudou na prestigiada Royal Academy of Fine Arts , em Antuérpia a mesma que formou os famosos “Seis de Antuérpia”, embora ele não fizesse parte oficialmente do grupo. Início da Carreira Após se formar, Margiela trabalhou como assistente de ninguém menos que Jean Paul Gaultier , entre 1984 e 1987. Essa experiência moldou sua compreensão sobre a alta-costura e, ao mesmo tempo, o motivou a romper com as normas. Em 1988 , fundou sua própria marca: a Maison Martin Margiela , junto da parceira Jenny Meirens. Desde o início, o designer optou pelo anonimato. Nunca deu entrevistas, não aparecia no final dos desfiles e evitava a imprensa. Sua proposta era o foco deveria estar na roupa, não na pessoa por trás dela . Estilo e Estética Martin Margiela ficou conhecido por sua abordagem radical, desconstruir a roupa para reconstruir o olhar do público . Suas peças revelavam costuras, forros, estruturas internas transformando o “imperfeito” em estética. Ele expunha o esqueleto da roupa como forma de contestação da superficialidade da moda. Outros elementos marcantes: Uso de materiais reciclados e reaproveitados (upcycling antes de ser tendência). Numeração enigmática nas etiquetas, sem nome visível: apenas uma sequência de 0 a 23, em que cada número representa uma linha da marca (ex: 6 para moda feminina, 10 para masculina, 22 para acessórios). Modelos com rosto coberto , roupas que pareciam inacabadas ou deformadas, peças oversized. Momentos Icônicos e Trabalhos Importantes 1989 : Primeiro desfile da Maison Margiela em Paris. Foi um escândalo. Crianças da comunidade desfilaram junto das modelos profissionais, em uma passarela improvisada em um bairro periférico. 1997-2003 : Margiela assume a direção criativa da linha feminina da Hermès . Em um movimento totalmente oposto à sua própria marca, cria roupas minimalistas, atemporais e elegantes. Isso provou sua versatilidade como criador. 2006 : A marca é adquirida pelo grupo OTB, de Renzo Rosso (Diesel), e Margiela começa a se afastar da Maison. 2009 : Sua saída é confirmada, mas ele se retira sem alarde, como viveu toda sua carreira. Desde então, vive completamente fora do radar midiático. O "mito" É considerado o padrinho da moda conceitual e influenciou nomes como Demna Gvasalia (Balenciaga), John Galliano (que assumiu a Maison Margiela em 2014), e Rei Kawakubo. Documentários sobre Margiela Apesar do silêncio, Martin Margiela quebrou parte do mistério em 2019: Martin Margiela: In His Own Words (2019) Direção: Reiner Holzemer O documentário mostra Margiela narrando sua trajetória com sua própria voz, mas sem revelar o rosto. Repleto de imagens de arquivo, entrevistas com colaboradores e reflexões sobre o que é o anonimato, o sistema da moda e a criação. Livros sobre Martin Margiela "Maison Martin Margiela" (Rizzoli, 2009) Catálogo visual e histórico da marca até a saída de Margiela. Inclui fotos raras e análises de peças icônicas. "Margiela: The Hermès Years" (Lannoo Publishers, 2017) Analisa a passagem discreta e sofisticada do estilista pela Hermès. "Martin Margiela" por Rebecca Arnold Aborda seu impacto acadêmico e filosófico no campo da moda. “Nunca fui contra a moda. Só queria que ela fosse algo mais do que vender imagens” — Martin Margiela
- DO CONCEITO AO CORPO, ETAPAS DE CRIAÇÃO E PRODUÇÃO DAS ROUPAS
Etapas 1. Pesquisa e inspiração 2. Design (croqui e ficha técnica) 3. Modelagem (plana, moulage ou digital) 4. Corte 5. Costura 6. Acabamento 7. Etiquetagem e embalagem 8. Controle de qualidade 9. Comercialização 1) Pesquisa e Inspiração (Pesquisa de Tendências ou Pesquisa de Estilo) Aqui tudo começa: o momento de absorver referências visuais, culturais, históricas, comportamentais e mercadológicas. Pode incluir: Moodboards Estudo de tecidos e paleta de cores Pesquisa de tendências (feiras como Première Vision, WGSN, passarelas) Referências artísticas, cinematográficas ou pessoais Objetivo: definir a direção criativa da coleção ou peça. 2. Criação / Design Agora é hora de transformar as ideias em croquis e fichas técnicas. Envolve: Desenho de moda (à mão ou digital) Escolha de tecidos, aviamentos e acabamentos Estudo de funcionalidade e estética Ficha técnica (documento com todas as especificações da peça) Aqui a peça já começa a tomar forma visual. 3. Modelagem Transforma o croqui em moldes reais e funcionais que permitirão cortar o tecido no formato correto. Pode ser feita de três formas: Modelagem plana (papel) Moulage (manequim) Modelagem digital (CAD, 3D) É a engenharia da roupa. Define estrutura, proporção, encaixe e caimento. 4. Corte Com os moldes prontos, é feito o corte do tecido, seguindo as especificações da modelagem. Inclui: Encaixe dos moldes no tecido (planejamento para evitar desperdício) Risco e marcação Corte manual ou automático (máquinas de corte industrial) Aqui o cuidado é crucial para garantir que tudo saia com exatidão. 5. Costura / Montagem da Peça As partes cortadas são unidas por costureiras ou máquinas, dando origem à estrutura final da roupa. Pode envolver: Costura reta, overlock, pesponto, entre outras técnicas Prova de peça (ajustes) Acabamentos internos (reforços, forros, limpezas de costura) É quando a peça finalmente ganha corpo tridimensional. 6) Acabamento Essa etapa refina e valoriza a peça. É o toque final antes da peça ser considerada pronta . Inclui: Bainhas Aplicações Botões, zíperes, rebites Lavagens especiais (jeans, por exemplo) Vaporização ou passadoria técnica Controle de qualidade visual e técnico Aqui se garante que a peça está linda, funcional e durável. 7) Etiquetagem e Embalagem A peça recebe: Etiquetas (com marca, composição, cuidados) Tag de papel Embalagem (individual, ecológica ou de envio) Essa etapa também faz parte da experiência de marca. 8) Controle de Qualidade Profissionais avaliam se a peça: Está com costuras corretas Respeita o molde Tem acabamento limpo Está sem defeitos no tecido ou montagem Essa etapa é essencial para evitar devoluções e garantir confiança. 9) Comercialização / Distribuição A roupa finalizada segue para: Lojas físicas E-commerce Atacados ou multimarcas Brechós ou marketplaces (no caso de reuso) Aqui entra o marketing, branding, campanhas e exposição. É quando o público finalmente vê (e deseja) a peça, chegando assim ao consumidor final.



